Rakú


A palavra japonesa RAKÚ pode, em tradução portuguesa, ter um significado muito amplo: Gozo, Felicidade ou Prazer são algumas das versões possíveis.

A sua origem está intimamente ligada à cerimónia do chá ("cha-no-yu"). Era um costume medieval japonês, para os grandes senhores feudais, oferecer a cerimónia do chá.

Rakú é uma técnica de queima da Cerâmica, surgiu de acordo com a tradição, em 1580 em Kioto (Japão), pelo ceramista Chojiro (nasceu em 1516), mas foi só introduzido na corte de Nobunaga por Rikyu em 1577, quando lhe ordenaram que fizesse bules de chá vermelhos e negros. Com o passar do tempo as restantes peças utilizadas no decorrer da cerimónia do chá passaram a ser feitas também com a técnica do Rakú: jarras para a água, potes para comida, incensários, contentores para incenso, pratos, etc.



Em 1911, o ceramista Inglês Bernard Leach vai ao Japão em busca de novos conhecimentos de cerâmica. Lá, encontra acidentalmente o Rakú, e após anos de estudos retorna ao Ocidente e publica o livro "Potter's Book", 1919.

O Rakú difundiu-se no mundo Ocidental sofrendo pequenas alterações de criação artística moderna, sempre em busca de novidades e efeitos diferentes.







Como se processa a queima de Rakú?


O processo de queima de Rakú é simples e rápido!

Em forno apropriado (Combustão: gás ou lenha, ou....) e em pouco tempo, o vidrado atinge o seu ponto de fusão até cerca dos 980ºC.
De seguida, é aberto o forno e retirado imediatamente (com uma tenaz) a peça incandescente, para o local preparado para o efeito: um espaço preparado com serrim, e/ou folhas de jornais - que produzem fumo e fuligem.

Deste modo a peça é coberta de maneira a suprimir o oxigénio (daí a cor tão característica negra) e de seguida, ainda é mergulhada numa tina com água - do qual sofrerá variados efeitos químicos e físicos determinados quer pela temperatura (o chamado "choque térmico" quer pelos materiais usados.

Obtém-se a côr negra nas áreas que não estão preenchidas pelo vidrado próprio para o Rakú (e este reagirá com a combustão e gases libertados durante todo o processo, criando efeitos fabulosos!) - características próprias que tornam a queima de Rakú mundialmente conhecida.

Todos estes efeitos são difíceis de controlar, pelo que há sempre um lado imprevisível e único nos resultados obtidos.